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Câmeras, rádios e olheiros controlam as rotas clandestinas na fronteira com a Bolívia

18 MAR 2025 • POR Redação do Capital do Pantanal • 10h57
Casas construídas em área invadida da União são usadas como depósitos de ilícitos e ajudam no controle do trânsito dos criminosos. - Foto: Silvio de Andrade

A Receita Federal em Corumbá conseguiu identificar o esquema de comunicação utilizado pelo crime organizado para atravessar drogas, produtos irregulares e outros ilícitos pelas chamadas estradas cabriteiras, na zona de fronteira entre Corumbá e a Bolívia.

O esquema utilizado pelos criminosos, de acordo com matéria publicado pelo jornal da Capital, Campo Grande News, envolve uso de câmeras, rádios e olheiros, que através de sinais sutis informam a presença dos agentes de fiscalização nas estravas de terra batida.

A curta distancia entre os dois países, cerca de 100 metros, e a falta de fiscalização contínua facilita a ação dos criminosos, que acontece livremente na região. Na área de fronteira, casas e depósitos construída em uma área invadida da União são controlados pelos criminosos, ali funciona um núcleo de apoio ao tráfico de drogas, contrabando de armas, alimentos, combustível, gás de cozinha (provocando desabastecimento nas cidades bolivianas) e vestuários, além do tráfico de animais e pessoas.

Os acessos – pelo menos oito, segundo levantamento feito pela Receita Federal, com ramificações – se interligam às chamadas “cabriteiras” do lado brasileiro, por onde as drogas, muambas e outros ilícitos são redistribuídos no Estado, e fora dele.

No esquema, os criminosos monitoram em tempo real a presença dos fiscais aduaneiros e, eventualmente, da polícia, por meio de rádios e câmeras controladas em Puerto Suarez, cidade boliviana distante 18 km.

Com a apreensão de alguns equipamentos de vigilância, acoplados na fachada dos imóveis situados ao lado da estrada municipal, a Receita Federal descobriu que olheiros (pessoas que ficam na entrada das rotas clandestinos), orientam o ir e vir de veículos. Não há circulação de pessoas a pé.

Um pano vermelho, jogado sobre um cone de sinalização ou no galho da árvore, significa presença da autoridade brasileira; já o pano branco, indica que o caminho está livre. Essa movimentação acontece à luz do dia, a poucos metros do Posto Esdras, onde a aduana brasileira, trabalha sobrecarregada com o intenso fluxo de cargas para exportação, que no ao passado chegou a 1,2 milhão de toneladas.

A curta distância e a falta de fiscalização contínua facilita a atuação criminosa. Foto: Reprodução

No local, a apreensão de drogas, contrabandos, pirataria e ônibus clandestinos transportando bolivianos para trabalhar nas malharias de São Paulo é quase diária. Recentemente, o Exército realizou a Operação Ágata, ampliando as apreensões.

A ausência dos órgãos de segurança em um trabalho de repressão e inteligência nas extremidades da aduana, no entanto, deixa a fronteira vulnerável, dificultando o controle de uma situação já incontrolável.

A única barreira, ao entrar na Bolívia, é um pedágio que se paga no setor de migração. Autoridades aduaneiras do país alegam que o Tratado de Roboré (1958) permite o livre acesso na linha internacional, para justificar a omissão boliviana.

DOF saiu da região 

A Câmara de Vereadores de Corumbá tem cobrado, nos últimos anos, o retorno do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), que atuou na região até 2021. Segundo o vereador Alexandre Vasconcelos, a desativação do DOF gerou um aumento na criminalidade e insegurança na cidade e na fronteira..

“A fronteira está escancarada. Temos solicitado ao Estado a presença permanente do DOF para reforçar o nosso sistema de segurança. O controle da fronteira beneficia a todos”, relatou.

A delegada da Receita Federal em Corumbá, Flávia Reinaldo Mesquita, disse que a unidade da 1ª Região Fiscal terá um reforço de servidores, principalmente no setor aduaneiro, com a chegada dos aprovados no último concurso, além de novos equipamentos e viaturas.

Sobre a complexidade dos problemas que se avolumam na faixa de fronteira reforça, cada vez mais, “a necessidade da presença firme do Estado no aprimoramento e integração nas ações e ampliação de estratégias para combater as práticas ilegais”.

Quanto à Bolívia, considerou “essencial” fortalecer as relações e intensificar a integração e o controle aduaneiro a quatro mãos.

Flávia adiantou que está sendo modulado um projeto para implantação de guard rail nos pontos mais vulneráveis da estrada municipal que se interliga às rotas clandestinas e ao perímetro urbano de Corumbá.

Outra solução seria reabrir o leito do Córrego Arroyo Concepcion, obstáculo natural da fronteira, para impedir o trânsito de veículos onde ocorre o descaminho. O fechamento do canal, sem uma explicação lógica, foi feito por máquinas da prefeitura de Corumbá, há alguns anos. *Com informações do CG News

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